1. o triângulo dourado
triângulo dourado, lei de miller, foto que vende sozinha, prato caro que é sempre lucrativo, cardápio bonito que basta. cinco crenças repetidas há anos no mercado de gastronomia — e o que o dado mostra no lugar de cada uma.
o mercado de cardápio carrega um punhado de regras que se repetem há tanto tempo que viraram senso comum — repassadas de dono pra dono, de designer pra designer, sem que quase ninguém pare pra checar se ainda fazem sentido, ou se algum dia fizeram. algumas vêm de estudos reais aplicados fora de contexto. outras nunca tiveram base nenhuma. o problema não é a crença em si — é o custo de decidir posicionamento, precificação e design de cardápio a partir de um mito em vez de um dado.
a versão mais repetida diz que o olho do cliente entra no cardápio pelo centro da página e segue automaticamente pro canto superior direito, formando um triângulo — e que colocar ali os pratos de maior margem garante mais pedidos. estudos de rastreamento ocular, incluindo os conduzidos pela cornell university, mostram um padrão diferente: a leitura de cardápio é predominantemente sequencial, parecida com a leitura de um livro, começando do topo da lista ou da seção. o que tem respaldo real não é um triângulo fixo na página — é o princípio de primazia: os primeiros itens de uma lista ou de uma seção recebem mais atenção do cliente do que os itens do meio ou do fim, independente de qual canto físico da página eles ocupam.